Seria o feito do dia, estava rodeado de não-amigos e todos lhe observavam com orbitas divertidas, das quais ele tentava desviar-se fielmente. Odiava quando aqueles que o julgavam invisível, em tempos, lembravam-se de que encontrava-se mais um capacho naquele lugar.
"BOO" – um dos não-amigos juntou os lábios, exibindo o som idiota. O garoto que julgavam invisível encolheu-se, odiava tudo aquilo, odiava.
"Vamos logo, não tenho tempo com isso." – o “chefe” dizia, desdenhoso. O garoto que julgavam invisível pensava que voltaria para casa com o olho roxo e hematomas piores do que judocas ganhavam em treinamentos. Estaria frito, isso sim!
Porém, para a salvação do garoto-invisível (que agradecia trilhões de vezes a Deus por isso), um dos senhores de meia-idade do quarteirão passava pelo parquinho (deserto pela hora do almoço), tomando a “atenção” dos não-amigos. Seria essa a melhor hora para pedir ajuda?
"Olá crianças." – dizia o velho acenando enquanto apoiava-se em sua bengala escudeira. Os não-amigos acenaram disfarçadamente, tentavam parecerem os mais amigáveis que podiam. Porém um dos garotos ali não havia acenado, este estava focado na brecha que os não-amigos haviam feito. Era a melhor hora, a propósito, era a única hora. Respirou fundo, arrumou os óculos e pensando ser um super herói com uma força incrível e uma velocidade tamanha, impulsionou os pés desajeitados e correu pela calçada quente pelo dia de verão. Logo que os não-amigos perceberam o feito, correram atrás do garoto-invisível, mas este já estava a uns bons três quarteirões dali. Talvez este fosse um garoto-invisível, mas os cincos, no fundo, confessavam que este fazia uma "puta" de uma boa corrida.
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